You've got a face for smile, you know...
Dos Sonhos Fantásticos de Um Garoto de Seis Anos Afetado Pelos Raios UV

No calor que está fazendo hoje, eu poderia estar na praia, me deliciando da sensação da areia fofinha entre os dedos dos pés, da maresia soprando aquela brisa refrescante no meu rosto e torso descobertos enquanto bebo de um coco geladinho e assisto àqueles caras de sunguinha e óculos escuros, peito e ombros avermelhados pela intensidade do sol, jogando vôlei de praia. 

Aposto que muita gente deve estar pensando nisso agora, quando faz quase 40º C aqui na capital, muita mesmo. Talvez sem os caras seminus jogando bola, mas, ei, é isso o que um belo dia de praia significa pra mim e mereço não ser julgado por isso.

Mas daí percebo que não posso ir à praia hoje por tantas razões que estou com preguiça de listar e resolvo dar um jeito nessa situação. O jeitinho brasileiro, sabe como é. Então, apesar das duzentas mil recomendações para não gastar água, porque os reservatórios de São Paulo estão abaixo de zero e a água está acabando… Puxei uma bacia de plástico, a enchi com dois baldes de água e, só para refrescar um tiquinho a mais, joguei algumas pedrinhas de gelo dentro.

Prontinho. Já sinto menos calor. (Para aqueles que dizem que acabo de desperdiçar sabe-se lá quantos litros de água, espero que estejam felizes entrando em combustão espontânea.)

Sentado na minha cadeira de balanço, com os pés balançando dentro da água fria, sinto que tenho barbatanas, e isso é um pouco bizarro, mas gosto disso. Até junto as pernas e separo os pés para parecer mais (sur)real. De repente, sou invadido por uma lembrança tão distante que psicólogos diriam que é apenas meu consciente me pregando peças, por causa do calor, e blá-blá-blá, mas confie em mim, não estou mentindo nem inventado coisa para encher uma crônica despretensiosa de domingo.

Na pré-escola Dois Amiguinhos (uma daquelas escolas acomodadas numa antiga casa grande que só se encontra em bairros afastados ou cidadezinhas do interior), estou numa conversa superanimada com meus amigos discutindo o que gostaríamos de ser quando crescêssemos. Meus amiguinhos, tolos como eram, queriam ser médicos, engenheiros, professores (“Como meu pai” diziam). Esperei até minha vez, sorrindo internamente com meu segredo. Pois quando me perguntaram “E você, João?”, levantei o queixo, todo orgulhoso da minha genialidade, e disse “Vou ser um sereio”. Meus argumentos foram sólidos. Tem espaço pra caramba no mar, comida até dizer chega e tenho certeza de que não precisarei trabalhar. Além do mais, eu fazia natação. Me adaptaria à cauda fácil, fácil. Um dos meus colegas (notou que chamei de amigo? Pois é, desde pequeno conseguia identificar os pequenos traidores) contou à professora sobre minhas aspirações aquáticas e ela me puxou de lado, explicando que seria impossível eu me tornar um sereio porque láláláláláseriasnãoexistemlálálálá, mas que eu poderia me tornar um ótimo nadador.

Bem, a segunda opção funcionou por alguns anos, mas você já viu algum nadador gordinho? Phelps, Cielo, algum deles com algo a mais na barriga que não fosse um tanquinho superdefinido? Pois é.

Só que, agora, percebo que deveria ter dado menos ouvidos à professora (ou comer menos, sei lá) e tentado seguir carreira subaquática. Porque, pra começo de conversa, não estaria passando esse calorão todo - e, consequentemente, não precisaria me sentir envergonhado da filha da vizinha me ver desfilando de cueca boxer através das janelas; e não precisaria me preocupar com a falta d’água na cidade. Todos ganhariam. 

Porém, como não desenvolvi escamas, nem cauda, e não consegui emagrecer para sustentar minha carreira como nadador profissional, me contento com uma bacia cheia de água, com pedras de gelo derretidas, cobrindo meus pés e sonhando com aquela água de coco, areia branca fininha e o grande mar azul à minha frente. Quero dizer, logo atrás dos homens fortes e suados jogando bola de tanguinha, mas ainda assim, logo à frente.

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Veronica Mars TV Series (2004–2007) / Movie (2014)

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